::eu fui, você não::

Postado em O evento que você não foi em 23/12/2011 por Rodrigo

E nem tinha que ir mesmo, era um evento particular e não divulgado. Nós já vínhamos conversando informalmente sobre sermos um movimento literário (mais literário do que movimento). Tentamos, informalmente, fazer uma reunião no Malleta, mas tudo ainda estava muito insipiente. Daí resolvemos parar com a pouca vergonha e oficializar a coisa com calendário de reuniões, projetos e a criação de um departamento de marketing e relações públicas.
Nós quem? O Nerito, do Blog “O Guardião”, a Simone, do “Cálida Poesia” e eu. Achamos importante que o local da primeira reunião fosse simbólico e tivesse a ver com movimentos culturais literários, portanto escolhemos o pedante, ostentativo e afrescalhado café do Palácio das Artes (com aqueles petiscos caros e ilusórios) como ponto de partida pro coletivo de literatura.
A Simone, que tinha mais o que fazer da vida, não foi e a reunião ficou sendo do Nerito comigo. Como todo coletivo, por mais canastrão e vagabundo, possui um nome, começamos a reunião com um debate sobre qual seria o nome do coletivo. Foram ventiladas duas sugestões, ambas com bons argumentos favoráveis e desfavoráveis e explicações metafísicas desnecessárias que eu descrevo a seguir:
Sugestão 01 – “clube da Serpente”: Esse nome é tirado do livro “O Jogo da amarelinha” (que os cults devem conhecer por Rayuela), do Cortázar. O argumento contra é que esse nome é tirado do livro “O Jogo da Amarelinha (que os cults devem conhecer por Rayuela), do Cortázar. Nós não temos nenhuma influência direta dele na nossa escrita e pode ser que alguém se iluda achando que somos viúvas dele, tentando recriar sua escrita e seu universo literário (se amanhã eu acordar e descobrir que estou escrevendo igual ao Cortázar, largo essa porcaria de blog e vou embora ficar rico). O argumento a favor é que o Clube da Serpente, no livro, é uma reunião de pândegos, literatos e intelectuais que se juntam pra tomar cachaça e resolver os problemas da humanidade, o que é bem próximo do que a gente tem tentado fazer. Além disso, Clube da serpente tem sexy appeal, funciona bem como nome de coletivo;
Sugestão 02 – “filhote de lobo”: o nome foi tirado do poema “O que eu quero de você”, do Fabrício Corsaletti (um filhote de lobo/ pra morder minha mão direita/ quando eu estiver no escuro/ depois que o amor acabar) e usado por mim como imagem literária num texto que eu plagiei da Simone (eu sou assim, nada que eu faço é original). O argumento à favor está na imagem do lobo e da metáfora “lobo”, como símbolo de força, selvageria, liberdade, inocência e lealdade. Quem duvidar disso pode ouvir “Of wolf and man”, do Metallica. Eu acredito no Metallica. O argumento contrário é que o nome tem mais a ver com meus devaneios pessoais e não necessariamente reflete uma visão ou posicionamento do Coletivo, além de ser um nome comercialmente fraco.
Depois de não chegar a nenhuma conclusão resolvemos passar para o próximo ponto: vamos admitir mais gente no Coletivo? A conclusão dessa pergunta foi a coisa mais legal da reunião. Resolveu-se (o Nerito resolveu, eu bati palmas) criar uma distinção entre um coletivo e um “movimento literário”. No primeiro, nós três vamos pensar em publicações e no segundo vamos organizar clubes de leitura, saraus cheio de cachaça e encontros para avaliação e troca de textos que os membros forem produzindo (a gente também pode montar especial pra Porto Seguro). Um barato isso, principalmente porque se aparece alguém no movimento que seja melhor que a gente, tacamos no coletivo e a pessoa ainda vai sentir que nós estamos fazendo um favor pra ela! Maquiavélico e perfeito. Resolvido isso, passamos ao mais importante: escrever o que, publicar o que? Por mais que a conclusão seja simples, a gente gastou um tempo refletindo nisso. Não faço ideia dos custos, sei que não é nada exorbitante, mas não é uma grana que eu tenha no meu pote de moedas. E não sei da Simone, mas Nerito e eu queremos ilustrações, então tudo tem que ser cautelosamente avaliado. Mas partindo do princípio “fodido = fodido e meio”, achamos que o melhor é lançar um livro cada um & lançar um livro com trabalhos dos três. Eu tenho complexo de vira-lata e fico me depreciando o tempo todo, mas dessa vez acho que vai ficar foda! Pelo menos minha mãe vai ter que comprar.
Essa foi a parte um da reunião. A segunda parte da reunião foi complicada demais pra quem não tem conhecimento especializado, então não vou ficar me estendendo. Fomos ao Habib’s fazer um lanche de verdade e discutir profundamente as bases filosóficas da J. K. Rowling, além de iniciar um pequeno ensaio de literatura comparada sobre “as mil e uma noites” (livro), “a espada era a lei”(desenho Disney) e “Cabaré Mineiro” (pornochanchada nacional).
A próxima reunião está agendada, dessa vez vamos levar stakeholders, uma equipe de consultoria japonesa e a Simone, pra facilitar a tomada estratégica de decisões. E apesar do coletivo não ter uma liderança, se você está lendo esse texto é porque além de ser uma pessoa paciente, o Nerito me autorizou a publicar…

::segundo::

Postado em Quase literatura em 23/11/2011 por Rodrigo

Amante número dois: João José foi apresentado como JJ. Risonho e empolgado, parece gostar que as pessoas ao seu redor estejam de bom humor. O tipo de pessoa que sempre tem algo engraçado ou gentil para ser dito.
Uma amiga, apaixonada por JJ, a convidou para um cinema, com ele. Se encontraram antes, para um happy hour e as trocas de olhares e outros pequenos flertes só não foram óbvios pra essa amiga.
Durante o filme, deram-se as mãos e ela sentiu o rosto afogueado e uma onda de tesão que quase a fez avançar sobre JJ. A amiga, sentada do outro lado, não notou nada suspeito.
Na saída do cinema, João disse que as levaria para casa. Ela resolveu brincar, perguntando “Para a casa de quem?” A resposta veio com a mão de JJ roçando de leve sua cintura e seu sorriso enorme dizendo “pra casa de quem você quiser!” A amiga não percebeu o gesto e riu com eles.
Ela ficou tão molhada que teve medo de que as pessoas pudessem notar.
JJ, um pequeno gênio da sedução, inventou uma desculpa na rota para que a amiga (pobre amiga) fosse deixada em casa primeiro e depois a convidou para uma saideira.
Ela se deixou conduzir e se encantou com cada um dos truques de salão mostrados por ele, cada opinião firme e curiosa sobre assuntos completamente sem importância e pela maneira como ele a ia envolvendo, como um gato que continua brincando com um ratinho que há muito já se entregou.
O ponto alto de JJ são suas mãos. Magras e de dedos longos, mas sem aparência frágil, possuem uma graça e agilidade que ele não deixou de demonstrar durante as horas que passaram no motel.
Hoje JJ namora a amiga, mas os dois ainda se encontram com frequência. Ela tem crises de culpa e ansiedade sempre que acabam o sexo, por isso ainda não sabe o que é dormir abraçada à JJ.  Talvez por isso tenha o pesadelo recorrente de que o marido os encontra enquanto dormem juntos e abraçados.

::interlúdio romântico::

Postado em Vida acidentada em 19/11/2011 por Rodrigo

Para meu filhote, Blenda:

“Deus me deu um amor no tempo de madureza,
quando os frutos ou não são colhidos ou sabem a verme.
Deus -ou foi talvez o Diabo- deu-me este amor maduro,
e a um e outro agradeço, pois que tenho um amor.

Pois que tenho um amor, volto aos mitos pretéritos
e outros acrescento aos que amor já criou.
Eis que eu mesmo me torno o mito mais radioso
e talhado em penumbra sou e não sou, mas sou.

Mas sou cada vez mais, eu que não me sabia
e cansado de mim julgava que era o mundo
um vácuo atormentado, um sistema de erros.
Amanhecem de novo as antigas manhãs
que não vivi jamais, pois jamais me sorriram.

Mas me sorriam sempre atrás de tua sombra
imensa e contraída como letra no muro
e só hoje presente.
Deus me deu um amor porque o mereci.
De tantos que já tive ou tiveram em mim,
o sumo se espremeu para fazer vinho
ou foi sangue, talvez, que se armou em coágulo.

E o tempo que levou uma rosa indecisa
a tirar sua cor dessas chamas extintas
era o tempo mais justo. Era tempo de terra.
Onde não há jardim, as flores nascem de um
secreto investimento em formas improváveis.

Hoje tenho um amor e me faço espaçoso
para arrecadar as alfaias de muitos
amantes desgovernados, no mundo, ou triunfantes,
e ao vê-los amorosos e transidos em torno,
o sagrado terror converto em jubilação.

Seu grão de angústia amor já me oferece
na mão esquerda. Enquanto a outra acaricia
os cabelos e a voz e o passo e a arquitetura
e o mistério que além faz os seres preciosos
à visão extasiada.

Mas, porque me tocou um amor crepuscular,
há que amar diferente. De uma grave paciência
ladrilhar minhas mãos. E talvez a ironia
tenha dilacerado a melhor doação.
Há que amar e calar.
Para fora do tempo arrasto meus despojos
e estou vivo na luz que baixa e me confunde.”

(Campo de flores – Carlos Drummond de Andrade)

::primeiro::

Postado em Quase literatura em 19/11/2011 por Rodrigo

Amante número um: Maurício é um negro, muito grande e forte, rosto anguloso, cabelo curto e costeletas muito finas, emendadas com o cavanhaque. Se conheceram num forró e dançaram juntos durante quase toda a noite, mas não se beijaram. Nesse dia ela estava disposta a não beijar ninguém. O problema é que ele não saiu de sua cabeça e ela acabou arrumando uma desculpa para voltar até lá, na esperança de encontrá-lo novamente. Deu sorte. Os dois passaram o tempo conversando e dançando. Ela sentia seu cheiro e se lembrava dos comentários racistas da avó. Não se importava, é claro. Achava o perfume dele maravilhoso e o hálito de menta em seu pescoço fazia suas pernas falharem. Depois de se roçarem grande parte da madrugada, como manda o bom forró, saíram juntos dali direto para um motel.
Maurício é, talvez, o amante mais bonito, mas é um tanto desajeitado. Goza rápido e não sabe o que fazer direito com as mãos. De qualquer maneira ela foi se viciando nele, gostando do tempo que passavam juntos e do modo como ele fazia carinho em seus cabelos depois do sexo. Maurício era um homem bom e não exigia nada. Conversavam muito, mas nunca tocavam assuntos delicados, como política ou filosofia existencialista. Entraram numa quase rotina de encontros, que se resumiam a boates e motéis. Só uma vez o levou à sua casa.
Nunca passou pela cabeça dela deixar o marido para ficar só com ele.

::apenas um charuto::

Postado em Quase literatura em 08/11/2011 por Rodrigo

Um homem entra em seu quarto e liga o aparelho de som. Fica deitado em sua cama, fumando e observando, ora o teto, ora a janela, onde só o céu, sem nuvens, sem sol, sem pássaros, é visível. A pergunta que ele se faz é a mesma que você começará a se fazer, se é que ainda não começou.

O homem se pergunta “por quê?”.

::capital, três da manhã::

Postado em Quase literatura com as tags em 09/10/2011 por Rodrigo

Marina está completamente atordoada de vodka, com a cabecinha deitada no meu colo, mumunhando qualquer coisa incompreensível e chorando. Talvez seja um pedido de desculpas, já que ela vomitou nos meus pés e nas minhas canelas. De novo.
Enquanto qualquer outra pessoa teria se levantado e batido com a cabeça dela na parede, eu continuo fazendo carinho em sua testa, bêbado como um… como um… como sempre, enquanto repito “Calma menininha lésbica… Calma…”
Meu corpo está bambo, não consigo pensar em nada com um sentido claro e sei que essa frase, que eu fico repetindo só pra tentar continuar acordado, deve estar tão truncada quanto a fala de Marina. Acho que o melhor pra tentar me manter preso à realidade é apelar prum flashback de bêbado: quando foi a primeira vez que eu vi essa menina? Foi aquela vez na casa velha, com o sax? Não, foi antes. No show. Com o sax.
Eu estava em casa, tocando com o Ulisses e o Teo. Sou a única pessoa com mais de dois anos de idade que toca guitarra pior que Teodoro, mas isso não impede a diversão. Principalmente quando João, que é músico de verdade, não está.
Tinha cachaça com refrigerante, esse dia. E o João, que estava tocando com o Chico num aniversário, chegou em casa com uma filipeta (adoro essa palavra: filipeta, filipeta, filipeta! Repitam isso quando estiverem bêbados, é diversão garantida!) falando de um show. Parece que a banda era boa, ou quase boa, ou quase de graça, uma coisa assim. E nós fomos.
E era o velho esquema da quinta feira de noite em BH. A grande maioria das pessoas na rua estava por conta de gastar o dinheiro dos pais em boates na Savassi. Boates que os descolados estão com uma mania feia de chamar de pubs. Todo mundo muito maquiado, muito perfumado, muito de mentirinha. Um mundo de plástico, com pessoas de plástico. E nós bêbados, pobres e sem tomar banho.
Achamos nosso “pub” e fomos Procurar um lugar de onde pudéssemos assistir ao show em paz. É claro que não levou dez minutos pra uma menina chegar e me perguntar pelo Ulisses. “Minha amiga queria conhecer seu amigo” e blábláblá e conversa gritada de boate no meio das músicas sem sentido. Fui dando trela enquanto os caras da banda se preparavam, mas não me peçam pra lembrar o nome dela agora. Nem depois.
Os frescos em cima do palco estavam se comportando como se fossem arcanjos que iam fazer um concerto pra Deus. Todos estavam de tênis all star (de modelos diferentes, claro), calças muito apertadas e camisas xadrez. Xadrez. Xadrezes. Camisas xadrezes. Camisas xadrez. Deus, acho que vou passar mal.
Mas continuando, a tal amiga se juntou a nós, enquanto João e Teodoro saíam furtivamente pra comprar cerveja (e não voltar nunca mais…).
E então, de repente e sem mais nem menos, eu conheci Marina.
Simples né? Ela apareceu atrasada no palco, sendo repreendida pelos idiotas da banda e era simplesmente impossível não ficar completamente hipnotizado pela sua presença. E não era porque ela era uma gostosa com um fálico saxofone na boca. Correção: não era só por isso.
Eu me vidrei no fato dela ser uma pessoa de verdade. Sem blush, lápis de olho e olha só que incrível: sem chapinha! A presença dela deixava óbvia a mentira em que todos estamos metidos quando saímos de casa “pra night”, “pra balada”. Senti vontade de enfiar uma porrada na patricinha tagarelando na minha orelha e ir lá oferecer uma cerveja pra menina de verdade. Mas isso ia ser começar outro teatro, então fiquei na minha e ao invés da porrada, preferi só dizer um “Sério? E aí, o que rolou?” pra palhaçada continuar acontecendo.
Nisso, todo mundo no palco estava preparado e o show começou.
Foi um bom show, com certeza. Claro que pela arrogância dos caras, dava pra pensar que ia ser Eric Clapton na guitarra, Billy Nelson (do Funkadelic, povo sem cultura) no baixo e John Bonham na bateria. Mas foi legal e eles tiveram a decência de não usar a saxofonista pra tocar Kid Abelha.
E eu ficava curtindo o som, embriagado e olhando fixamente pra Marina (que eu ainda não sabia que era Marina, nem ia saber tão cedo). Até que minha acompanhante resolveu ir ao banheiro e eu fiquei, por assim dizer, descoberto. Notei na hora que ela percebeu que eu estava de olho nela. E notei que isso a desagradou profundamente. “Patricinha esnobe”, pensei exatamente isso. Ou qualquer coisa mais feia. Ou não. O fato é que eu sabia que ela estava incomodada e continuei olhando. Faltou só aquele lance de passar a língua pelos lábios, bem nojentão. Mas só funcionou pra outra menina ficar meio com ciúmes e achar que tinha que me agarrar com toda a força. Me senti o mais grotesco, calhorda e sexy filho da puta da boate. Isso também não foi ruim.
Lá pelas tantas, como é o destino de todo bebum, pedi licença pra ir ao banheiro e não voltei mais. Ulisses me buscou desmaiado e vomitado, pra levar embora. Olhando pro meu estado agora, fico me perguntando por que é que nessas histórias eu tenho que terminar sujo?
O flashback me fez muito bem, já dá até pra entender o que a Marina está dizendo. Já, já posso pensar em me levantar e arrumar o sofá pra ela dormir.
Marina está chorando o nome de Cláudia, seja lá quem for essa. Marina tem um filhote de lobo preso no coração.

::sobrou alguém aí?..::

Postado em Vida acidentada em 04/10/2011 por Rodrigo

Era uma vez um sujeito que não sabia desenhar. Ele gostava muito de desenhar, adorava desenhos, pinturas, gravuras e tudo que fossem imagens gravadas ou desenhadas em qualquer lugar, fizessem elas sentido ou não. Só que ele não sabia desenhar e isso o deixava frustrado. Seu maior e melhor propósito era então inalcançável e isso deixava sua vida uma merda. Ele não conseguia se dedicar por tempo o suficiente a nenhuma outra ocupação, não dava a atenção necessária aos amigos e mesmo quando tudo estava bem ele sempre tinha a estranha impressão de estar fugindo de algo.
E como tinha tempo livre, esse cara resolveu que o melhor a fazer era tentar escrever. Porque se ele nunca tinha aprendido a desenhar, ler e escrever, em compensação, ele sabia desde os sete anos de idade.
Daí que esse desenhenhista frustrado se tornou um escritor meia boca, com um blog, mas passou a levar a escrita a sério. Vinham coisas, iam coisas e a escrita era levada a sério. Vinham amores e iam amores e a escrita ele levava a sério. Vinham e iam empregos e oportunidades acadêmicas e ele continuava a levar somente a sua escrita a sério. Ele não conseguia achar que todas essas coisas fizessem qualquer sentido porque ele era uma pessoa incompleta, então nada disso que diziam sentir ou oferecer à ele podia ser realmente verdadeiro. E ele tinha razão, sempre, pra infelicidade de quem lê isso que eu estou contando (compadeçam-se desse infeliz, minha gente).
Só que a vida tem um botão de foda-se ligado pras coisas que as pessoas querem ou esperam e corre como deve correr e não como um ou outro sujeito imaginam. Aconteceu de chegar um momento em que o trabalho desse sujeito começou a exigir tempo, dedicação e profissionalismo, ele se cercou de amigos, que vivem mandando mensagens dizendo que ele sumiu, a família pedia visitas e ele percebeu que chegava em casa cansado e com vontade de jogar Plants versus Zombies antes de dormir. E ele até tentava escrever, mas era só entrar na merda de uma rede social qualquer pra que algum amigo viesse com um assunto muito mais interessante que qualquer coisa que ele tivesse pra escrever. E era só ele sair de uma rede social qualquer pra perceber que as pessoas eram mais interessantes que as que ele descrevia e que o mundo era muito mais complexo do que ele imaginava.
E ele tinha muita vontade de descrever esse mundo novo e cheio de adolescentes e idas ao cinema e namoros furtivos, mas ele estava se ocupando demais em viver esse mundo. E é por isso que esse puto não tem atualizado o blog, enquanto seus amigos que gostam de escrever tem feito coisas maravilhosas nos blogs deles. Mas ele sabe que ainda vai dar um jeito, já que mesmo que ele não escreva, ele leva esse negócio de escrever muito à sério…

Esse post é baseado nos posts da Kaoru, do Diário de botas batidas.

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