O exemplo escolar é clássico: há um sujeito qualquer no alto do mastro de um navio com uma bolinha nas mãos. O navio está em movimento retilíneo uniforme, para efeitos de exemplificação, e o tal sujeito larga a bolinha lá de cima. Desprezando-se a resitência do ar, o vento e as gaivotas treinadas na recuperação de bolinhas, onde a dita cuja cairá? A resposta a essa pergunta sempre me perseguiu desde a primeira vez em que o exemplo foi apresentado. Por mais que os pacientes professores repetissem vezes e vezes que “Ao pé do mastro, devido a lei newtoniana da inércia.” minha mente tosca e medieval sempre repeliu a assertiva. Não acredito em Leis de Newton. Num mundo recheado de criacionistas, duvidar de uma lei física qualquer não é exatamente um crime grave. Além disso sempre fui muito discreto, nunca sugeri a proibição da física newtoniana ao longo do segundo grau e sempre fiz questão de escrever nas provas aquilo que os professores vinham ensinando. Seguindo o exemplo de outro grande cientista, pacientemente creio que “a verdade é filha do tempo e não da autoridade”. Imaginava que as leis de Newton nunca tinham sido suficientemente estudadas e colocadas à prova e que no momento oportuno a física quântica iria desmentir a atrocidade conhecida como inércia.
Confesso isso tudo para que meu presente estado de pavor e dúvida com relação à existência e à realidade seja devidamente entendido por quem quer passe os olhos nesse texto. Vindo mais cedo de Divinópolis para cá (Belo Horizonte). flagrei uma cena terrível e estarrecedora no momento em que meu pai fazia a ultrapassagem de um caminhão. Na lateral do mesmo havia um pequeno barril plástico com uma torneira e a maldita torneira pingava água. E pra meu desespero completo AS GOTAS DE ÁGUA NÃO APRESENTAVAM MOVIMENTO COM RELAÇÃO À TORNEIRA!!!! Elas caiam exatamente embaixo dela, ou seja, elas estavam na mesma velociadade do caminhão. Todos os meus pesadelos se revelaram verdadeiros: a lei da inércia é real. Newton tinha razão.
Estou agora com medo de sair da casa. O mundo é bem mais complexo e perigoso do que eu queria que fosse. E além de tudo é inercial…
28/10/2009 às 1:38 am
Os físicos não são as pessoas mais felizes do mundo. Melhoras ao seu humor, meu velho.