::segundo::
Amante número dois: João José foi apresentado como JJ. Risonho e empolgado, parece gostar que as pessoas ao seu redor estejam de bom humor. O tipo de pessoa que sempre tem algo engraçado ou gentil para ser dito.
Uma amiga, apaixonada por JJ, a convidou para um cinema, com ele. Se encontraram antes, para um happy hour e as trocas de olhares e outros pequenos flertes só não foram óbvios pra essa amiga.
Durante o filme, deram-se as mãos e ela sentiu o rosto afogueado e uma onda de tesão que quase a fez avançar sobre JJ. A amiga, sentada do outro lado, não notou nada suspeito.
Na saída do cinema, João disse que as levaria para casa. Ela resolveu brincar, perguntando “Para a casa de quem?” A resposta veio com a mão de JJ roçando de leve sua cintura e seu sorriso enorme dizendo “pra casa de quem você quiser!” A amiga não percebeu o gesto e riu com eles.
Ela ficou tão molhada que teve medo de que as pessoas pudessem notar.
JJ, um pequeno gênio da sedução, inventou uma desculpa na rota para que a amiga (pobre amiga) fosse deixada em casa primeiro e depois a convidou para uma saideira.
Ela se deixou conduzir e se encantou com cada um dos truques de salão mostrados por ele, cada opinião firme e curiosa sobre assuntos completamente sem importância e pela maneira como ele a ia envolvendo, como um gato que continua brincando com um ratinho que há muito já se entregou.
O ponto alto de JJ são suas mãos. Magras e de dedos longos, mas sem aparência frágil, possuem uma graça e agilidade que ele não deixou de demonstrar durante as horas que passaram no motel.
Hoje JJ namora a amiga, mas os dois ainda se encontram com frequência. Ela tem crises de culpa e ansiedade sempre que acabam o sexo, por isso ainda não sabe o que é dormir abraçada à JJ. Talvez por isso tenha o pesadelo recorrente de que o marido os encontra enquanto dormem juntos e abraçados.
25/11/2011 às 3:17 pm
Eu acho que a sua quase literatura já é literatura.
26/11/2011 às 1:20 pm
Gotta love my best friend forever!
03/12/2011 às 5:23 pm
Concordo e já falei isso pessoalmente. Tá muito bem escrito. E coloquial, como você desejava.
11/12/2011 às 11:31 am
Rapaz, muito interessante essa história. Farei coro: é literatura. Deixa de ser modesto.