::Chove::

Chove e eu me pergunto o que há de tão extraordinário nas tempestades e nas crianças, para que eu consiga perder tanto tempo as encarando e querendo ser como elas. Mas sou calmo, introspectivo, casmurro. Sou o trovão grave e lento, sou o som que faz Deus ao raspar a garganta. Uma única parte da situação que eu desejo inteira. Um elemento de um todo do qual faço parte, mas faço uma parte e não faço um todo. Eu quero o todo, como uma tempestade completa e finita, perfeita por ser agora um sinal gráfico e uma lembrança misturada àquela de todas as tempestades que rondam as almas das pessoas que se preocupam com isso. Essa tempestade torna-se em todas as tempestades, perceba, por se ajuntar num canto do cérebro naquela região em que se registram as tempestades. É estranhamente um mesmo pulso elétrico numa mesma área que reage ao ser lembrada a tempestade. Mas cada tempestade pode erguer a cabeça dessa massa chuvosa e se evocar em suas particularidades mais ou menos erradas do que foi registrada de si em nossa mente. E ela pode fazer isso por ser um todo e não apenas um único elemento de um todo da qual faz parte. Eu não sou um conceito, mas uma generelidade de um conceito do qual faço parte, uma partícula, um adjunto adverbial de humanidade. E isso não faz a chuva parar.

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