::Dialética solitária::

Há mais que três dimensões e milhares de coisas novas e brilhantes que correm para os cantos todos em busca de compreensão. Não se pode ignorar efeitos e existências. Há todo um universo que deve funcionar em conjunto, mesmo que não haja um porquê claro. E não há. Mas deve haver adequações múltiplas, a mente, corpo, o mundo cheio de mentes e corpos que deveriam se saber (e não sabem) nunca sozinhos. A limitação reside não na incompreenção do pensamento do outro, mas na incapacidade de aceitar a existência do pensamento do outro. Infinitamente parecidos e categorizáveis somos, mas cada um de nós, corpos e pensamentos devemos nos acostumar com a sensação de unidade. Os outros são cada um deles assim como nós não somos uma massa existencial informe.
Há direções, há. Mas são tantas e tão complexas que o melhor a dizer é que não há direções de forma alguma, tudo é mar grande e sem bússolas. Em verdade qualquer conclusão a se chegar ao olhar pelas janelas é saber que aqui dentro estamos sempre sozinhos e inalcansáveis, mas que nunca estamos sozinhos, porque existimos assim, caoticamente únicos em conjunto. Muitos.

Tudo isso porque desde que comecei a me “tratar” de meus mals subjetivos, desde que, há um ano, comecei a me desinteriorizar, tenho me tornado um grande problema existencial. Novamente me sinto sozinho, só que por agora, do outro lado. Só eu sei que não há um consenso, afinal, ou todos os outros que partilham essa crença estão espalhados e escondidos.

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::inconclusões::

Não sei como o recente pensamento me afeta. Talvez eu precise realmente parar para refletir sobre ele, mudar a forma de enxergar e querer as coisas, caso seja possível que um possa mudar a própria natureza através de reflexão e não de ação e tempo. O fato é que mesmo havendo caminhos sempre percorridos, aos quais me acostumei, percebi que tenho andado exaurido por percorrê-los. Sendo assim, prefiro atalhos ou mesmo a imobilidade, sentar e não percorrer os caminhos antigos, os tão amados caminhos certos que estou cansado de conhecer. Basta, no entanto, que surja a sugestão de um novo destino, uma forma diferente, um novo lugar, para que eu me coloque inteiramente disposto, cheio de fôlego e alegria. E mesmo que as pernas fraquejem, que meu fôlego acabe, não cessa a vontade e a alegria pela possibilidade que algumas ruas novas e uns poucos rostos dos quais eu vou, com toda a certeza do universo, me esquecer. E isso acontece pensando em chão, nos meus caminhos entre o trabalho e casa. Agora pensem se é exatamente isso que acontece com o resto da minha vida? Seria isso ruim?