::anzol – um título irônico::

Após trocar socos com meu melhor amigo, paramos para pensar sobre o assunto. O que, especificamente, nos levou à brigar? O que havia em cada um de nós que precisava ser compreendido de uma maneira tão extrema? Ou talvez o que nos separava e poderia deixar de nos afastar após a briga?
Nada.
A grande frase pseudo-filosófica piegas da auto-ajuda-cresceu e nos cobriu como verdade incontestável: nós nascemos sozinhos e morremos sozinhos. Vivemos presos dentro de nossos corpos, limitados pelos nossos sentidos que não nos bastam para compreender nada do mundo. A única coisa que vamos conhecer completamente ao longo da vida é a dimensão de nossa própria solidão. Até aqui, nada no universo foi sincero comigo. Imagino que ele tenha motivos para pensar a mesma coisa.
Ficou irrespondida uma segunda pergunta, incômoda para minhas costas doloridas: Será que isso vai se repetir, as brigas, a reflexão, a sensação de vazio devido à ausência de sinceridade do universo, os corpos doloridos e machucados?
Há coisas inevitáveis.

“Se calhar, tudo é símbolos”
(Álvaro de Campos)