::Teddy’s sorrow – parte3::

(Verifiquem nos arquivos o início dessa porqueira…)

E como era o namoro dos dois? Era o namoro de todo mundo, com sexo, sorvete, ciúme e – quem diria? – uma cervejinha de vez em quando. Claro que Teodoro não deixou de ser o cara tímido e esquisitão magicamente. Sempre teve muito medo de levar Natália em sua casa, por causa da mãe ciumenta e descontrolada que ele tem. Desconfiava muito dos amigos dela, que ele sabia (e até não devia estar errado nesse saber) que falavam mal dele pelas costas e diziam que ela merecia coisa melhor.
Quinzes aninhos, companheiros! O que pode ser melhor que um namorado com emprego, usando o salário pra malacostumar a amada?
Acho que os dois faziam muitos planos. Deviam fazer, pra levar o Teodoro a tomar as infelizes decisões que acabou tomando depois. Não sei, mas acho que devia ter a ver com casamento, lua de mel na Argentina, filhos criados em colégios particulares. Todo idiota quer casar e ter filhos pra tentar consertar as cagadas que os pais fizeram com eles próprios, mas a única coisa que conseguem é descontar nos filhos as tais cagadas, com juros de geração.
Um namoro assim tão bonito, tão comprometido, acaba ficando meloso. O tempo do Teodoro era quase exclusividade da Natália. Quando não estava com ela, estava fazendo coisas pra ela. Escola era segundo plano, trabalho, terceiro e sei lá se ele ainda lembrava que tinha família.
E a mãe do Teodoro, cada vez mais preocupada com esse namoro do filho, começou a perturbar. Isso porque aquele menino prestativo, calado, trabalhador, estudioso e insosso passava cada vez menos tempo em casa, mais tempo em lugares que ela não sabia onde ficavam e (pecado dos pecados) começava a piorar na escola.
Uma noite, quando Teodoro chegou em casa, encontrou os pais esperando na sala. Deve ter ficado surpreso porque isso era raro, eles normalmente já estavam dormindo àquela hora da noite. Para definirmos a expressão no rosto da mãe, podemos colocar dor e pena em doses iguais, mas acrescentemos duas pitadas de crueldade e uma colher de chá de sadismo puro. Cinismo à gosto. Já o pai estava com seu costumeiro ar encabulado, de quem precisa dar um sermão em que ele não acredita e que, na verdade, ele não tem nenhuma moral pra dar.
No sermão, Teodoro ouviu falar sobre responsabilidades, as prioridades na vida de uma pessoa, sobre a obrigação dever sempre ser colocada antes das diversões. Ouviu os pais reclamarem de sua ausência (menos o pai e mais a mãe), do seu menosprezo com a família (e aqui entra uma elucidativa palestra sobre a importância da família para a formação da sociedade cristã, capitalista e injusta). Teodoro era o pior dos filhos, o pior dos alunos e o pior dos trabalhadores. E era muito novo para colecionar tantos títulos. Os pais terminaram dizendo que esperavam que ele refletisse e tomasse a decisão mais correta e que visasse seu bem estar e a normalidade das vidas de toda a humanidade (onde devemos entender que toda a humanidade seja a mãe do Teodoro). Todos se abraçaram mecanicamente e foram deitar. O pais iam dormir e Teodoro ia passar a madrugada pensando.