::Fui eu::

Agora é tarde demais e eu começo a sentir o mundo fazendo seu sentido de coisa que existe na dor que o asfalto quente provoca em meus pés. Eu estava no meio da rua, sozinho entre as buzinas e palavrões, vestindo só uma bermuda velha, pensando, ou melhor, sabendo que você me viu chegar sem querer admitir que viu e muito a contragosto, mais por culpa do flagra e de todo o rídiculo da situação, é você resolveu não iria fingir. Dava instruções ao motorista e fazia um leve aceno, seco, seu.
Há erros como sempre os há. Mesmo assim não me eram perceptíveis ao tato, eu não tenho tato, não posso apontar um fato com o dedo e tocá-lo. E mesmo assim eu sabia só pra mim e sabia, por isso é que não dormi e estava lá para machucar meus pés, porque desde noite passada a sensação é de queda livre, eu estou perdido, não estou? E você me ignorou por toda a noite e quando chegamos seu automatismo fez com que se despisse e era isso, a mulher mais bela de todo o universo nua e indiferente na sua cama que era a minha, claro que era a minha, porque você é quem foi embora. Eu não sei, mas acho que a culpa é minha, que a confusão fui eu quem fiz fui eu.