::Years of frustration lay down side by side…::

Tudo se perde muito, muito rápido. Estão num primeiro momento, os dois conversando e uma música incompreensível acompanha. A vida é tão sem sentido que pronto, bastaram algumas palavras bem colocadas e já sentia-se apaixonado. Nada vale muito à pena, principalmente quando se está bêbado e há a descoberta de um sentimento poderoso e automático assim. Paixão junto com uma música complicada, são muitos acordes e tem as distorções. As mulheres são perfeitas, ainda mais assim, bêbado. A vida é sem sentido e repetitiva repetitiva repetitiva. A mulher perfeita sorri, aconchega-se e continuam a conversa. O mundo deve acabar mais cedo ou mais tarde. O mercado competitivo se fecha e destrói o sentido das vidas e a música mudou pra melhor. Com distorções, mas agora é blues. O significado? Está-se apaixonado, sem remédios. Pouco importa diante do sorriso certo que o mundo acabe em pouco tempo, por que, afinal de contas, o que é o tempo? O que é o tempo para uma pessoa que bebeu demais? Blues, com certeza é o que é. Blues são escalas quase sempre repetitivas. São paixão e tristeza condensados em escalas repetitivas. Quatro notas que vão e voltam. Desce a escala e tudo se repete. Mas nada disso importa à luz das grandes descobertas. Você descobriu que está apaixonado. E está bêbado e precisa garantir que continue. Tudo se perde muito rápido. A música, por exemplo. Havia agora um blues e foi agressivamente substituído por algo novo, por Portishead. E você se vai em quatro notas e volta com as bebidas. A paixão é isso, é descobrir que a mulher perfeita se agarra com um homem qualquer ao som de Portishead e esse homem é tão qualquer que não é nem mesmo você. O mundo já pode acabar a qualquer momento. Uma voz deliciosa de mulher canta que a paixão é uma coisa provavelmente triste e intensa.